MAM
A história do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP se divide em duas
fases. A primeira, da fundação, em 1948, à doação de seu acervo original à
Universidade de São Paulo - USP, em 1963; a segunda, de 1963 aos dias de hoje,
em que o MAM/SP se afirma como uma das instituições culturais mais ativas da
cidade, com uma coleção representativa da arte brasileira moderna e,
principalmente, contemporânea (no ano 2000 o museu conta com 3.300 obras).
Criado
por iniciativa do industrial Francisco Matarazzo Sobrinho - conhecido por Ciccillo
Matarazzo, presidente do museu até 1963, o MAM/SP responde ao desejo de
diversos intelectuais e artistas que defendem a formação de um museu de arte moderna em São Paulo desde o início da
década de 1940. Museu privado sem fins lucrativos, funciona provisoriamente nas
dependências da Metalúrgica Matarazzo até a inauguração oficial de sua sede no
3º andar do prédio dos Diários Associados, na rua 7 de Abril, com a
exposição internacional Do Figurativismo ao Abstracionismo. Com curadoria do
crítico belga Léon Degand, diretor técnico do museu até meados de 1949, a
mostra apresenta ao público brasileiro o desenvolvimento mais recente da arte,
reunindo um conjunto de 95 obras de artistas, como Hans Arp, Alexander Calder,
Robert Delaunay, Cicero Dias, Flexor, Hans Hartung, Wassily
Kandinsky, Fernand Léger, Alberto Magnelli, Joan Miró, Francis Picabia, Pierre
Soulages, Victor Vasarely, entre outros.
Tanto os
preparativos quanto seu catálogo e as atividades paralelas organizadas em torno
da mostra indicam os objetivos do museu: ser um espaço de divulgação das novas
tendências, difundindo artistas contemporâneos nacionais e internacionais por
meio de exposições, publicações e cursos. Nesse sentido, o projeto, inspirado
em parte no Museum of Modern Art - MoMA em Nova York, prevê a instituição de um
"museu vivo", cuja atuação didática é o eixo principal. Sua sede, na
rua 7 de Abril, cujo projeto arquitetônico de Vilanova Artigas, é dotada de salas de exposição,
bar, biblioteca e local para projeção de filmes. A exemplo do museu americano,
o MAM/SP mantém uma filmoteca própria (célula mater da Cinemateca Brasileira),
uma escola de artesanato e cursos de história da arte.
Em seus
primeiros anos, o museu se dedica à organização de importantes mostras
retrospectivas de artistas brasileiros e estrangeiros, acompanhadas de
catálogos de arte de padrão inédito no país. Seu acervo, constituído
basicamente pela coleção pessoal de Matarazzo e de sua mulher, Yolanda Penteado, e por doações, como a do
magnata norte-americano Nelson A. Rockefeller, é pequeno, mas composto
de obras-primas da arte moderna: trabalhos de Pablo Picasso, Wassily
Kandinsky, Giorgio Morandi, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi, entre outros. Nota-se, no
entanto, que no começo não há uma política de aquisição de obras de arte nem de
valorização do acervo.
Desde o
início, a instituição passa por intermitentes crises provocadas por desavenças
entre seu fundador e os rumos desejados pelos diretores e conselheiros
artísticos. A situação se agrava nos anos 1950 com a criação, a partir de 1951,
da Bienal do Museu de Arte Moderna, futura Bienal Internacional de São
Paulo.
Paulatinamente, o museu passa a funcionar à sombra da Bienal e tem papel
restrito à sua organização. A constante instabilidade financeira do museu, a
concentração de energia e dinheiro de seu presidente na realização das Bienais
e os problemas entre ele e seu colaboradores fizeram com que Matarazzo
decretasse, em janeiro de 1963, a extinção do museu, transferindo seu
patrimônio para a USP1. Encerra-se a primeira fase do
MAM/SP.
Sem sede
e sem acervo, inicia-se a luta de alguns sócios capitaneados por Arnaldo Pedroso D'Horta, pela sobrevivência do MAM/SP.
Mas é somente em 1967, sem esperança alguma de reaver sua antiga coleção, que o
museu passa a se estruturar novamente. Com a doação de obras de artistas
modernos brasileiros, pela família de Carlo Tamagni, cria-se o núcleo do novo museu.
Em 1969, o MAM/SP inaugura, com a mostra Panorama de Arte Atual
Brasileira, sua sede no antigo pavilhão Bahia na marquise do parque do Ibirapuera, local que ocupa até hoje. O
Panorama, ainda existente, é idealizado por Diná Lopes Coelho (diretora da
instituição até 1982) como uma forma de adquirir obras para o acervo por meio
de premiações e doações de artistas. Ao logo dos anos, o acervo é enriquecido
com a doação de importantes coleções, como a do jornal O
Estado de S. Paulo, a
Coleção Paulo Figueiredo, a Coleção Kodak do Brasil, a Coleção Clube de
Colecionadores da Gravura do MAM, entre outras.
Reestruturada,
a instituição passa a organizar retrospectivas de artistas brasileiros
e mostras internacionais, e retoma suas atividades didáticas,
reconquistando lugar de destaque na vida cultural nacional. Nos anos
1990, sob a presidência da empresária Milú Villela, o MAM/SP desenvolve
uma política mais constante de aquisição de obras e valorização de seu acervo.
Um dos pontos culminantes dessa política se dá com a publicação, em 2002, do Catálogo
Geral do Acervo do MAM/SP.
Notas
1 A doação desse acervo deu origem ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP
1 A doação desse acervo deu origem ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP
Acessado no dia 27 de outubro:
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BIENAL
Criada por iniciativa do empresário Francisco Matarazzo Sobrinho, em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma das mais importantes instituições internacionais de promoção da arte contemporânea, e seu impacto no desenvolvimento das artes visuais brasileiras é notadamente reconhecido. A Bienal de Arte, seu mais importante evento, não apenas apresenta aos diferentes públicos a produção de artistas brasileiros e estrangeiros, mas também atrai os olhares do mundo para a arte contemporânea de nosso país. Mais que isso, o evento atua como um periscópio, na medida em que quebra o isolamento de um país cujas condições socioculturais e dimensões dificultam o contato com essa ampla produção, e promove a insubstituível aproximação com as obras – cujas imagens digitais na tela do computador jamais provocarão o deslumbramento e a revelação do momento íntimo diante da arte.
Após a realização da 6ª Bienal de Artes, a Fundação foi criada para levar adiante a mostra, que até então era promovida, com muito sucesso, pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM-SP. E o pavilhão que a instituição ocupa, até hoje sua casa, só veio a abrigar as exposições Bienais a partir da sua 4ª edição, em 1957. Desde 1951, foram produzidas dezenas Bienais, com a participação de 159 países, mais de 13 mil artistas, cerca de 60 mil obras, e quase 7 milhões de visitantes, tornando possível o contato direto do público brasileiro com as artes visuais, cênicas e gráficas, música, cinema, arquitetura e outras formas de expressão artística de todo o mundo. Em 2012, chegaremos à 30ª Bienal de São Paulo, com uma aura bem-vinda de recomeço.
Fonte:
Acessado dia 08 de novembro. às 04:31


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